Pular para o conteúdo
Novidades no Digital

Lista de Publishers é lançado com mais de 12 mil veículos mapeados e dados inéditos sobre a imprensa digital brasileira

O mercado brasileiro de publishers ganhou uma nova plataforma dedicada a organizar, medir e dar visibilidade à imprensa digital do país.

Lista de Publishers é lançado com mais de 12 mil veículos mapeados e dados inéditos sobre a imprensa digital brasileira

O Lista de Publishers entra no ar reunindo mais de 12 mil veículos, distribuídos pelos 27 estados brasileiros e classificados em 28 editorias.

O projeto parte de uma questão que há anos acompanha publishers, anunciantes, agências e profissionais de mídia: afinal, quem compõe a imprensa digital brasileira e qual é o nível de maturidade tecnológica desses veículos?

A resposta começa a ser construída a partir de dados.

Na estreia, o portal reúne 12.104 veículos cadastrados, com informações organizadas por editoria, região, audiência, plataforma utilizada e diversos indicadores técnicos. A base permite pesquisar publishers por nome, domínio, cidade ou assunto e navegar pelo mercado a partir de diferentes recortes.

Mas o catálogo é apenas uma parte da proposta.

Um robô que mede a infraestrutura dos publishers

O Lista de Publishers utiliza coleta automatizada para analisar tecnicamente os veículos presentes na base.

O sistema identifica informações como presença de sitemap, RSS, dados estruturados, ads.txt, tecnologias utilizadas, desempenho no celular e configurações relacionadas ao acesso de agentes de inteligência artificial.

Entre os primeiros resultados encontrados pelo monitoramento, 44% dos veículos analisados utilizam WordPress, enquanto apenas 33% publicam um arquivo ads.txt, mecanismo utilizado para declarar empresas autorizadas a comercializar seu inventário publicitário.

Outro dado chama atenção: somente 11% possuem um arquivo llms.txt, recurso utilizado para fornecer orientações a agentes e sistemas de inteligência artificial sobre o conteúdo disponível no site. Ao mesmo tempo, 11% dos veículos monitorados bloqueiam pelo menos um dos agentes de IA acompanhados pela plataforma.

Esses números ajudam a materializar uma discussão que até recentemente era bastante abstrata: o quanto a imprensa brasileira está tecnicamente preparada para um ambiente em que parte crescente da descoberta e do consumo de informação passa por mecanismos de busca baseados em IA e agentes automatizados.

Da audiência à maturidade digital

O portal também acompanha indicadores de performance e segurança.

A coleta inicial mostra que apenas 36% dos veículos medidos passam pelos critérios de Core Web Vitals, conjunto de métricas utilizado pelo Google para avaliar aspectos da experiência de navegação. Em segurança, somente 2% alcançam classificação A+ considerando os seis cabeçalhos técnicos monitorados pela plataforma.

O objetivo é permitir que cada publisher consiga enxergar sua estrutura sob uma perspectiva comparativa.

Uma redação pode observar se utiliza determinadas tecnologias, verificar como está seu desempenho e entender o nível de adoção dessas práticas entre outros veículos brasileiros.

Isso cria uma camada de inteligência de mercado que dificilmente poderia ser construída olhando individualmente para cada site.

Um mapa da imprensa brasileira

A distribuição geográfica da base também permite enxergar uma característica importante do mercado brasileiro: sua forte presença regional.

São Paulo aparece inicialmente com 520 veículos classificados na base, seguido por Minas Gerais, com 313, Bahia, com 310, Paraná, com 296, e Rio Grande do Sul, com 284. O levantamento também contempla centenas de veículos de outras regiões e estados brasileiros.

A organização considera imprensa nacional, estadual, regional e municipal separadamente, permitindo identificar veículos com atuação muito específica em determinadas cidades ou regiões.

Para anunciantes e agências, isso abre uma possibilidade prática: localizar publishers por editoria, estado, alcance e audiência.

Um anunciante interessado em tecnologia, agronegócio, turismo ou notícias locais, por exemplo, pode utilizar a base para identificar veículos relacionados àquela audiência e posteriormente solicitar contato pela própria plataforma.

28 editorias para entender o mercado por conteúdo

Os publishers são classificados em 28 categorias baseadas na taxonomia de conteúdo da IAB, adaptada para o português.

Notícias Gerais representa a maior concentração de veículos, seguida por Notícias Locais. A base também reúne publishers especializados em política, economia, esportes, tecnologia, saúde, turismo, entretenimento, educação, agro, marketing, moda e diversas outras verticais.

A classificação não depende apenas da forma como o veículo se apresenta. O próprio conteúdo publicado é considerado na categorização.

Esse ponto é particularmente relevante para planejamento de mídia, relações públicas, distribuição de conteúdo e estudos sobre o mercado editorial brasileiro.

Publishers podem participar gratuitamente

O projeto adota uma política de entrada gratuita para os veículos.

Publishers que ainda não aparecem no catálogo podem solicitar a inclusão do domínio. Segundo as regras apresentadas pela plataforma, não existe cobrança para aparecer na base nem venda de posições no ranking.

Também existe um processo de verificação de propriedade do veículo. Publishers podem complementar ou corrigir suas informações mediante comprovação e receber a identificação de veículo verificado.

A plataforma passa, assim, a funcionar em duas direções.

Para o publisher, oferece visibilidade, indicadores técnicos e oportunidades de ser encontrado por anunciantes.

Para agências, marcas e profissionais de mídia, organiza um mercado historicamente pulverizado e cria uma camada estruturada de pesquisa.

IA passa a fazer parte da infraestrutura editorial

Um dos aspectos mais interessantes do projeto está justamente no acompanhamento da relação entre publishers e inteligência artificial.

O Lista de Publishers monitora quais agentes conseguem acessar os sites e quais são bloqueados por meio das configurações de robots.txt.

Essa informação tende a ganhar importância.

Publishers estão começando a precisar decidir quais sistemas podem acessar seus conteúdos, para quais finalidades e sob quais condições. Ao mesmo tempo, mecanismos de resposta baseados em IA passam a disputar espaço com mecanismos tradicionais de busca como intermediários entre informação e audiência.

Não existe uma única estratégia correta para todos os veículos.

Um publisher pode decidir restringir determinado crawler por questões comerciais ou editoriais. Outro pode entender que permitir acesso amplia sua capacidade de ser descoberto por novos sistemas.

O que faltava era uma fotografia mais ampla de como o mercado brasileiro está se comportando.

A plataforma começa a construir essa fotografia.

Dados próprios sobre o mercado brasileiro

Outro elemento importante do Lista de Publishers é a metodologia utilizada para produzir seus indicadores.

Os dados técnicos apresentados são provenientes de coleta própria, com registro daquilo que o robô encontrou nos sites e das regras utilizadas para cada classificação.

Isso permite que o portal avance gradualmente de catálogo para observatório do mercado publisher.

Ao acompanhar milhares de sites continuamente, torna-se possível identificar movimentos que individualmente seriam difíceis de perceber: crescimento da adoção de determinadas tecnologias, mudanças na abertura para agentes de IA, evolução de performance, utilização de padrões publicitários e diferenças entre segmentos ou regiões.

A consequência é uma base que pode gerar estudos recorrentes sobre a infraestrutura da mídia digital brasileira.

Uma nova peça do projeto de mapeamento do mercado digital

O Lista de Publishers integra uma família de plataformas voltadas ao mapeamento do mercado brasileiro, ao lado do Lista de Eventos, dedicado a feiras, congressos e eventos, e do Lista de Agências, que organiza empresas de marketing, comunicação e tecnologia.

A plataforma é uma iniciativa do Instituto da Maturidade Digital e foi desenvolvida pela VitaminaWeb.

A escolha de publishers como uma das frentes desse projeto tem uma razão clara: milhares de veículos brasileiros participam diariamente da produção e distribuição de informação, mas boa parte dessa estrutura permanece dispersa.

Criar uma base nacional permite começar a medir esse mercado com uma granularidade que rankings tradicionais de audiência não conseguem oferecer.

Audiência continua sendo relevante, mas agora pode ser analisada ao lado de infraestrutura, segurança, tecnologia publicitária, presença regional, desempenho e preparação para agentes de inteligência artificial.

É essa combinação que pode tornar o Lista de Publishers particularmente útil.

O portal nasce como catálogo, mas sua base de dados permite algo maior: acompanhar, ao longo do tempo, como a imprensa digital brasileira está tecnicamente estruturada e como reage às mudanças que estão redesenhando a distribuição de conteúdo na internet.

O Lista de Publishers está disponível em listadepublishers.com.br.