08 motivos sobre as mudanças das agências com a IA
O modelo tradicional de agência está entrando em colapso. Entenda por que IA, maturidade digital e agentes autônomos estão redefinindo estratégia, precificação e proposta de valor no mercado digital.
Rodrigo Neves
Autor
Durante os últimos meses venho discutindo publicamente que o mercado digital não está “mudando”. Ele já mudou.
A Inteligência Artificial não é o problema. Ela é apenas o catalisador.
O que está colapsando é o modelo tradicional de prestação de serviços baseado em execução manual.
A maioria das agências já entendeu que IA faz parte do jogo.
O que ainda não foi totalmente compreendido é algo muito mais estrutural:
Estamos vivendo o fim da lógica de vender esforço como proposta de valor.
Entenda os motivos que estão levando a ter mudanças significativas das agências com a IA.
1. A compressão inevitável de valor
Durante décadas, o modelo de agência foi sustentado por três pilares:
-
Mão de obra especializada
-
Tempo como unidade de precificação
-
Produção manual como diferencial
Esse modelo funcionava porque existia assimetria de conhecimento e acesso.
Hoje, essa assimetria está desaparecendo.
Segundo a McKinsey (2024), 76% dos líderes globais colocam IA como prioridade estratégica para os próximos dois anos. Isso significa que os próprios clientes estão internalizando tecnologia, automação e inteligência.
Ao mesmo tempo, o Fórum Econômico Mundial (Future of Jobs Report 2023) projeta que 44% das habilidades atuais serão transformadas até 2027, com forte impacto em funções operacionais.
Tradução prática para agências:
Se sua proposta de valor é execução manual, você está vendendo algo que está se tornando abundante.
E abundância comprime preço.
2. A crise invisível: CAC sobe, conversão cai
Nos últimos cinco anos, três fenômenos se intensificaram:
-
Aumento estrutural do custo de aquisição
-
Fragmentação extrema de canais
-
Saturação de conteúdo
A Gartner (Digital Marketing Survey, 2024) mostra que líderes de marketing estão deslocando orçamento de produção para tecnologia, automação e inteligência de dados.
Isso não é moda. É reestruturação.
O problema deixou de ser a campanha.
O problema passou a ser a arquitetura.
Se a empresa não tem:
-
Dados integrados
-
Governança estruturada
-
Automação inteligente
-
Modelos preditivos
Ela não escala eficiência. Apenas escala investimento.
3. 95% do tráfego é anônimo — e isso muda tudo
A maioria do tráfego digital permanece não identificado.
O modelo tradicional de segmentação por persona já não captura comportamento em tempo real.
Segundo a Salesforce (State of the Connected Customer, 2025):
76% dos consumidores esperam experiências personalizadas e integradas entre canais.
Personalização deixou de ser diferencial. Tornou-se expectativa mínima.
Mas personalização real exige:
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Infraestrutura de dados
-
Integração de sistemas
-
Automação contextual
-
Modelagem de comportamento
-
Governança
Sem isso, não há inteligência.
Existe apenas mídia.
4. A verdadeira ruptura: da execução para a orquestração
Estamos entrando na era dos agentes autônomos.
A Gartner projeta que até 2028:
-
33% dos softwares corporativos incluirão agentes de IA
-
15% das decisões operacionais diárias serão tomadas por agentes
Isso altera a lógica da internet.
Antes:
Humano → Interface → Sistema
Agora:
Agente → API → Dados estruturados → Decisão
O valor não está mais no layout.
Está na infraestrutura cognitiva.
Sites deixam de ser vitrines. Passam a ser bases estruturadas para consumo por máquinas.
Essa mudança redefine o papel da agência.
5. Maturidade Digital: o verdadeiro divisor de águas
Menos de 5% das empresas brasileiras atingem estágios avançados de maturidade digital.
A maioria ainda opera com:
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Dados fragmentados
-
Cultura não data-driven
-
Automação limitada
-
Ausência de governança
E, mesmo assim, tenta escalar mídia.
Segundo o MIT CISR (2024), empresas com alta maturidade digital têm três vezes mais probabilidade de superar a média de crescimento do setor.
O diferencial não está na ferramenta.
Está na capacidade de alinhar estratégia, cultura e tecnologia.
6. A falácia da produtividade com IA
A maior armadilha do mercado é reduzir IA a uma ferramenta de produtividade.
IA não é sobre fazer post mais rápido.
É sobre reestruturar o modelo de negócio.
Quando:
-
Copy é gerada em segundos
-
Criativos são automatizados
-
Relatórios são sintetizados por LLMs
-
Segmentações se tornam preditivas
O cliente inevitavelmente pergunta:
“Se eu consigo fazer 60% disso internamente, qual é o papel da agência?”
Se a resposta for execução, a margem evapora.
Se a resposta for:
-
Arquitetura
-
Integração de sistemas
-
Inteligência contextual
-
Governança
-
Orquestração de agentes
-
Estruturação de dados
A agência se torna indispensável.
7. As três forças que estão redesenhando o mercado
Análises da McKinsey, WEF e Gartner apontam três vetores convergentes:
-
Inteligência Artificial em escala
-
Transformações demográficas globais
-
Aceleração digital permanente
O resultado:
-
Consumidores mais exigentes
-
Ciclos de inovação mais curtos
-
Pressão por eficiência operacional
-
Necessidade de personalização em massa
Esse ambiente não favorece quem executa.
Favorece quem estrutura.
8. O novo modelo: sistêmico, não linear
Modelo tradicional:
Briefing → Produção → Entrega → Fatura
Modelo emergente:
Dados → Infraestrutura → IA → Automação → Aprendizado contínuo → Valor recorrente
Essa mudança altera:
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Precificação
-
Estrutura de equipe
-
Modelo comercial
-
Relacionamento com cliente
-
Proposta de valor
Estamos migrando de produtores de peças para arquitetos de inteligência.
O que realmente está em jogo
A discussão não é se vale investir em IA.
A discussão é:
Seu modelo de fornecimento de serviços está preparado para um mercado onde execução virou commodity?
Entre 2025 e 2030 haverá uma redistribuição significativa de margem no setor.
Não será vencida pelas maiores agências.
Será vencida pelas mais adaptáveis.
A pergunta não é se o modelo vai mudar.
Ele já mudou.
A pergunta final é:
Sua agência ainda vende esforço ou já vende inteligência estruturada?
A resposta define seus próximos cinco anos.
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