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Tendências e Insights no Digital 16 fev, 2026 5 min de leitura

08 motivos sobre as mudanças das agências com a IA

O modelo tradicional de agência está entrando em colapso. Entenda por que IA, maturidade digital e agentes autônomos estão redefinindo estratégia, precificação e proposta de valor no mercado digital.

Rodrigo Neves

Rodrigo Neves

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08 motivos sobre as mudanças das agências com a IA

Durante os últimos meses venho discutindo publicamente que o mercado digital não está “mudando”. Ele já mudou.

A Inteligência Artificial não é o problema. Ela é apenas o catalisador.

O que está colapsando é o modelo tradicional de prestação de serviços baseado em execução manual.

A maioria das agências já entendeu que IA faz parte do jogo.
O que ainda não foi totalmente compreendido é algo muito mais estrutural:

Estamos vivendo o fim da lógica de vender esforço como proposta de valor.

Entenda os motivos que estão levando a ter mudanças significativas das agências com a IA.


1. A compressão inevitável de valor

Durante décadas, o modelo de agência foi sustentado por três pilares:

  • Mão de obra especializada

  • Tempo como unidade de precificação

  • Produção manual como diferencial

Esse modelo funcionava porque existia assimetria de conhecimento e acesso.

Hoje, essa assimetria está desaparecendo.

Segundo a McKinsey (2024), 76% dos líderes globais colocam IA como prioridade estratégica para os próximos dois anos. Isso significa que os próprios clientes estão internalizando tecnologia, automação e inteligência.

Ao mesmo tempo, o Fórum Econômico Mundial (Future of Jobs Report 2023) projeta que 44% das habilidades atuais serão transformadas até 2027, com forte impacto em funções operacionais.

Tradução prática para agências:

Se sua proposta de valor é execução manual, você está vendendo algo que está se tornando abundante.
E abundância comprime preço.


2. A crise invisível: CAC sobe, conversão cai

Nos últimos cinco anos, três fenômenos se intensificaram:

  • Aumento estrutural do custo de aquisição

  • Fragmentação extrema de canais

  • Saturação de conteúdo

A Gartner (Digital Marketing Survey, 2024) mostra que líderes de marketing estão deslocando orçamento de produção para tecnologia, automação e inteligência de dados.

Isso não é moda. É reestruturação.

O problema deixou de ser a campanha.

O problema passou a ser a arquitetura.

Se a empresa não tem:

  • Dados integrados

  • Governança estruturada

  • Automação inteligente

  • Modelos preditivos

Ela não escala eficiência. Apenas escala investimento.


3. 95% do tráfego é anônimo — e isso muda tudo

A maioria do tráfego digital permanece não identificado.

O modelo tradicional de segmentação por persona já não captura comportamento em tempo real.

Segundo a Salesforce (State of the Connected Customer, 2025):

76% dos consumidores esperam experiências personalizadas e integradas entre canais.

Personalização deixou de ser diferencial. Tornou-se expectativa mínima.

Mas personalização real exige:

  • Infraestrutura de dados

  • Integração de sistemas

  • Automação contextual

  • Modelagem de comportamento

  • Governança

Sem isso, não há inteligência.
Existe apenas mídia.


4. A verdadeira ruptura: da execução para a orquestração

Estamos entrando na era dos agentes autônomos.

A Gartner projeta que até 2028:

  • 33% dos softwares corporativos incluirão agentes de IA

  • 15% das decisões operacionais diárias serão tomadas por agentes

Isso altera a lógica da internet.

Antes:
Humano → Interface → Sistema

Agora:
Agente → API → Dados estruturados → Decisão

O valor não está mais no layout.
Está na infraestrutura cognitiva.

Sites deixam de ser vitrines. Passam a ser bases estruturadas para consumo por máquinas.

Essa mudança redefine o papel da agência.


5. Maturidade Digital: o verdadeiro divisor de águas

Menos de 5% das empresas brasileiras atingem estágios avançados de maturidade digital.

A maioria ainda opera com:

  • Dados fragmentados

  • Cultura não data-driven

  • Automação limitada

  • Ausência de governança

E, mesmo assim, tenta escalar mídia.

Segundo o MIT CISR (2024), empresas com alta maturidade digital têm três vezes mais probabilidade de superar a média de crescimento do setor.

O diferencial não está na ferramenta.

Está na capacidade de alinhar estratégia, cultura e tecnologia.


6. A falácia da produtividade com IA

A maior armadilha do mercado é reduzir IA a uma ferramenta de produtividade.

IA não é sobre fazer post mais rápido.

É sobre reestruturar o modelo de negócio.

Quando:

  • Copy é gerada em segundos

  • Criativos são automatizados

  • Relatórios são sintetizados por LLMs

  • Segmentações se tornam preditivas

O cliente inevitavelmente pergunta:

“Se eu consigo fazer 60% disso internamente, qual é o papel da agência?”

Se a resposta for execução, a margem evapora.

Se a resposta for:

  • Arquitetura

  • Integração de sistemas

  • Inteligência contextual

  • Governança

  • Orquestração de agentes

  • Estruturação de dados

A agência se torna indispensável.


7. As três forças que estão redesenhando o mercado

Análises da McKinsey, WEF e Gartner apontam três vetores convergentes:

  1. Inteligência Artificial em escala

  2. Transformações demográficas globais

  3. Aceleração digital permanente

O resultado:

  • Consumidores mais exigentes

  • Ciclos de inovação mais curtos

  • Pressão por eficiência operacional

  • Necessidade de personalização em massa

Esse ambiente não favorece quem executa.

Favorece quem estrutura.


8. O novo modelo: sistêmico, não linear

Modelo tradicional:
Briefing → Produção → Entrega → Fatura

Modelo emergente:
Dados → Infraestrutura → IA → Automação → Aprendizado contínuo → Valor recorrente

Essa mudança altera:

  • Precificação

  • Estrutura de equipe

  • Modelo comercial

  • Relacionamento com cliente

  • Proposta de valor

Estamos migrando de produtores de peças para arquitetos de inteligência.


O que realmente está em jogo

A discussão não é se vale investir em IA.

A discussão é:

Seu modelo de fornecimento de serviços está preparado para um mercado onde execução virou commodity?

Entre 2025 e 2030 haverá uma redistribuição significativa de margem no setor.

Não será vencida pelas maiores agências.

Será vencida pelas mais adaptáveis.

A pergunta não é se o modelo vai mudar.

Ele já mudou.

A pergunta final é:

Sua agência ainda vende esforço ou já vende inteligência estruturada?

A resposta define seus próximos cinco anos.

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