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Tendências e Insights no Digital · Inteligência Artificial · SEO

GEO e agentes de IA: a nova disputa pela preferência do consumidor

Rodrigo Neves, CEO da VitaminaWeb, participa de webinar da ClienteSA sobre GEO, agentes de IA e os impactos da inteligência artificial na jornada de compra.

GEO e agentes de IA: a nova disputa pela preferência do consumidor

A inteligência artificial está mudando a jornada de compra de uma forma muito mais profunda do que simplesmente substituir uma busca no Google por uma pergunta no ChatGPT. Cada vez mais, ferramentas e agentes de IA entram no processo de descoberta, comparação e seleção de produtos e serviços, reduzindo o número de alternativas antes mesmo de o consumidor acessar um site ou entrar em contato com uma marca.

Esse foi um dos principais temas do webinar “CX | GEO e os Agentes de IA”, promovido pela ClienteSA, que contou com a participação de Rodrigo Neves, CEO da VitaminaWeb, ao lado de Rafael Rez, fundador da Web Estratégica; Thiago Rocha, Diretor Global de Growth Acquisition da Nuvemshop; e Wilson S., professor da ESPM e CEO da WS Labs.

A discussão partiu de uma mudança importante no comportamento digital. Antes, o consumidor pesquisava, acessava diferentes sites, comparava ofertas e construía sua própria lista de opções. Com a IA, parte desse trabalho pode acontecer antes. Um usuário pode perguntar qual é o melhor produto para determinada necessidade, quais fornecedores atendem determinado perfil ou qual solução oferece melhor relação entre preço, qualidade e prazo. A inteligência artificial organiza as informações disponíveis e apresenta apenas algumas alternativas.

É exatamente nesse ponto que o GEO, Generative Engine Optimization, ganha importância. Se o SEO foi desenvolvido para aumentar a visibilidade de marcas e conteúdos nos mecanismos de busca, o GEO busca aumentar a capacidade de uma empresa ser encontrada, compreendida e considerada pelos mecanismos generativos. A diferença é relevante: no SEO, a empresa disputa posições em uma página de resultados; no GEO, ela começa a disputar presença dentro da própria resposta produzida pela IA.

Isso muda a lógica da presença digital. Não basta produzir muito conteúdo ou repetir palavras-chave. Os sistemas precisam compreender claramente quem é a empresa, o que ela oferece, para quem sua solução é indicada, quais problemas resolve e quais evidências sustentam sua autoridade. Informações mal estruturadas, contraditórias ou incompletas reduzem a capacidade da IA de interpretar corretamente uma marca, um serviço ou um produto.

Para empresas de e-commerce, essa questão é ainda mais prática. Dados como nome do produto, categoria, marca, características, preço, disponibilidade, variações, avaliações e especificações precisam estar organizados de forma consistente e estruturada. Se uma IA ou um agente não consegue interpretar corretamente essas informações, aquele produto pode deixar de ser considerado em uma comparação automatizada, mesmo sendo comercialmente competitivo.

Outro ponto discutido é que a relevância para IA não depende apenas do conteúdo publicado no próprio site. Reputação, citações externas, autoridade dos especialistas associados à marca, dados proprietários, pesquisas, cases e consistência das informações em diferentes ambientes digitais também ajudam a construir contexto. Quanto mais clara é a associação entre uma empresa, um tema e sua especialidade, maior tende a ser sua capacidade de ser reconhecida naquele território.

Na prática, isso significa que as empresas precisam começar a pensar em uma nova camada da jornada de compra. Entre a descoberta e a consideração pode existir agora uma mediação algorítmica. A IA pesquisa, interpreta e filtra antes do consumidor. Em alguns casos, o usuário pode sequer conhecer determinadas marcas porque elas não foram selecionadas pelo sistema como alternativas relevantes.

Esse cenário também aproxima GEO de CX. Quando um agente de IA consegue pesquisar produtos, consultar informações, comparar condições ou até iniciar uma transação, ele passa a participar diretamente da experiência do cliente. A relação deixa de acontecer apenas entre pessoa e empresa e passa a incluir uma camada intermediária de tecnologia.

Para Rodrigo Neves, essa transformação exige uma visão mais ampla do que simplesmente “otimizar conteúdo para IA”. GEO envolve tecnologia, arquitetura da informação, dados estruturados, conteúdo, reputação, autoridade e maturidade digital. Empresas que não organizarem esses fundamentos podem descobrir que possuem bons produtos e serviços, mas não estão conseguindo ser compreendidas pelas novas interfaces de descoberta.

Ao mesmo tempo, o crescimento da IA não elimina a importância da confiança. Pelo contrário. Quanto mais fácil se torna gerar conteúdo e automatizar interações, mais relevantes passam a ser ativos como credibilidade, experiência comprovada, conhecimento original, dados próprios e reputação. A tecnologia pode ajudar o consumidor a comparar e selecionar opções, mas a confiança continua sendo determinante para a decisão final.

O desafio das marcas, portanto, deixa de ser apenas aparecer no Google. A nova pergunta é se, quando alguém consultar uma inteligência artificial sobre determinado mercado, empresa ou solução, aquela marca estará entre as alternativas apresentadas. E, em um cenário cada vez mais próximo, se um agente de IA puder pesquisar, comparar e executar parte da compra em nome do consumidor, aquela empresa estará tecnicamente e estrategicamente preparada para ser considerada.

GEO começa justamente aí: na construção de uma presença digital que possa ser compreendida por pessoas, mecanismos de busca e, cada vez mais, por sistemas de inteligência artificial.